Mortes por suspeita de febre maculosa deixam moradores em alerta

Morreram duas pessoas da mesma família, num intervalo de dez dias. Delair Satlher e seu filho Gladsom Satlher Pereira, moradores no Barreiro, município de Reduto, divisa com Manhuaçu. Ainda não existe laudo conclusivo sobre o que aconteceu, mas há indícios de que pode ser febre maculosa. As suspeitas são baseadas em sintomas dos pacientes e na presença de capivaras que transportam o principal vetor da doença, o carrapato estrela.

Os dois casos causaram preocupação e medo entre os moradores da comunidade. Não é motivo para pânico, contudo medidas de precaução e higiene devem ser adotadas, como o cuidado de se evitar as áreas infestadas em que há presença das capivaras.

A mãe do jovem foi a primeira vítima da doença, logo depois o filho também apresentou os mesmos sintomas, foi atendido no hospital, mas não resistiu e veio a falecer.

A febre maculosa é uma infecção provocada por uma bactéria transmitida ao homem por meio do carrapato estrela, encontrado principalmente em locais onde há capivaras. Por isso, a doença costuma aparecer com mais frequência na zona rural.

Os primeiros sintomas são febre, dor de cabeça e dores pelo corpo e aparecem de dois a quatorze dias após a picada. Ainda podem surgir lesões na pele.

Ciente dos casos, a Vigilância Ambiental de Manhuaçu já está tomando medidas para controlar a situação. O órgão deixa em alerta a comunidade e pede que fique atenta e reduza o contato com as áreas infestadas. A Secretaria de Estado de Saúde é que assumiu a coordenação com ações como palestras e outras medidas.

 

Capivaras são comuns no rio Manhuaçu, que passa em áreas de Simonésia, Manhuaçu, Reduto e Santana do Manhuaçu.

 

 

A responsável pelo setor de Vigilância Ambiental, Emilce Estanislau Fialho, explica que os casos estão sendo apurados. “A informação que chegou somente com a internação do rapaz, pois havia o registro da morte da mãe dele uma semana antes com sintomas bastante parecidos. A morte da mãe não levantou suspeitas, por ser pessoa de mais idade e não se desconfiou de febre maculosa, que não é uma doença que temos registro em Manhuaçu. Com a internação do rapaz, com os mesmos sintomas, levantou-se a suspeita. O caso foi encaminhado ao médico infectologista Dr. Tiago Heringer, que é especialista, e foram feitos os exames minuciosos com a suspeita de febre maculosa. O rapaz infelizmente veio a falecer, pois já estava com um quadro bastante debilitado. Estamos aguardando o laudo oficial”.

A região do Barreiro fica na divisa de Manhuaçu com Reduto e tem a incidência de muitas capivaras, o que despertou o receio nos moradores.

“Começamos os procedimentos com a Secretaria de Estado de Saúde. Estivemos no local de residência da família e encontramos uma área realmente infestada de carrapatos de capivara, na pastagem na margem do rio Manhuaçu. Foram coletados materiais para o laboratório da FUNED em Belo Horizonte para verificar se o carrapato estrela (vetor) está infectado com a bactéria. Não existem outras pessoas contaminadas na casa. Mesmo aguardando o resultado oficial, outras medidas estão sendo adotadas por precaução: borrifando carrapaticida no local e outros inseticidas para conter a infestação e deter a eventual contaminação de outras pessoas”, detalha a diretora.

SEM PÂNICO

Muito prudente em sua fala, Emilce Estanislau ainda orientou os produtores daquela região para que apliquem carrapaticida nos currais e nos animais que frequentam essas pastagens. É recomendado que as pessoas frequentem esses locais de pastagem onde houve o problema e também na margem do rio, que tem muitas capivaras, até que se tenha o resultado do laudo.

Já estão acontecendo, por parte da Gerência Regional de Saúde, reuniões nas comunidades de Reduto e do Barreiro para orientar os moradores sobre sintomas, cuidados e medidas que devem tomar para se proteger. “Queremos orientar os moradores e tirar um pouco do pânico, pois as pessoas estão realmente ansiosas e receosas. O pânico não se justifica. Nessa segunda-feira, vieram várias pessoas para as unidades de saúde. Todas foram atendidas e, felizmente, não havia nenhum outro caso. Elas foram orientadas. Podemos dizer que é uma situação pontual numa propriedade específica. Não temos outros registros e nem suspeitas em nenhum outro ponto de Manhuaçu, contudo fica o alerta para quem frequenta margens de rios, especialmente locais que tem capivaras que carregam o carrapato estrela (vetor) da febre maculosa. Essa época seca favorece a infestação dos carrapatos”, detalha.

Quem trabalha nas roças tem que vistoriar o corpo e retirar carrapatos com pinça ou algodão embebido em álcool. Nunca devem matar o carrapato, de qualquer tipo, com a unha ou algo assim, no próprio corpo. “O que desejamos é orientar os moradores e explicar que não é preciso pânico. Vamos trabalhar para trazer segurança para a comunidade do Barreiro”, afirma.

A DOR DA FAMÍLIA

Para a família, no entanto, não há laudo que conforte a dor e a apreensão que estão passando. “Há menos de 15 dias, morreram duas pessoas da minha família, minha tia Delair Satlher e meu primo Gladsom Satlher Pereira, no Barreiro, município de Reduto, divisa com Manhuaçu. Eles foram vitimas de febre maculosa. Isso mesmo, muitos como nós, da família, não sabíamos do que se tratava, até que dois entes queridos foram acometidos por essa trágica doença. Moradores da zona rural, foram picados por carrapatos infectados e, dentro de quatro dias, estavam mortos. (…) Todos devem saber o que aconteceu, mesmo que o laudo que foi para Belo Horizonte ainda não tenha chegado. As autoridades têm que tomar providencias, têm que agir, para que mais pessoas não morram dessa forma trágica”, resumiu uma das familiares, Carine Carvalho.

 Fonte:  Carlos Henrique Cruz – portalcaparao@gmail.com

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