Policiais são acusados de espancar e causar a morte de pedreiro

A família do pedreiro Expedito Alves de Oliveira, 46 anos, quer saber em que circunstância ele morreu nesta terça-feira, 03. Ele estava sendo conduzido por dois policiais militares de Simonésia por causa de uma ocorrência simples e, segundo a família, foi espancado e sofreu uma hemorragia interna. No velório, moradores e familiares indignados cobraram explicações do Comando do 11º Batalhão de Polícia Militar. Em Manhuaçu, os dois policiais foram afastados do trabalho e instaurado um inquérito policial militar.

Na primeira parte da história não há dúvidas. Na noite de segunda-feira, o Cabo Zinis e o Soldado Assis abordaram um rapaz numa motocicleta no posto de combustíveis na entrada de Simonésia, por volta de 22:30. Como o condutor era inabilitado, foram até o dono da moto. Expedito foi procurado em casa e chamado a acompanhar os policiais, a moto apreendida e o motociclista sem carteira.

O problema é justamente a partir da transferência para Manhuaçu. Nádia Sabrina, irmã de Expedito, conta que ele saiu com os militares normalmente para acompanhar o registro da ocorrência e que não foram informados da morte. “Só no dia seguinte, quando algumas pessoas começaram a me falar que meu irmão tinha morrido é que começamos a procurar. A PM não nos comunicou. Comecei a procurar notícias dele. Fui ao pronto socorro e ninguém sabia. Fui ao hospital e depois sugeriram que eu procurasse a funerária que estava de plantão à noite. Foi lá que descobri que ele estava morto”, conta Nádia Sabrina.

Ela disse que ao ver o corpo no necrotério e notar que a causa morte estava como desconhecida passou a cobrar explicações. “O delegado determinou, de forma prudente, que fosse feita a necropsia e não havia legista em Manhuaçu. O corpo foi levado para Caratinga. No necrotério, eu vi o corpo todo molhado, nariz  com sangramento, joelhos da calça rasgados e muito sujo de barro. O investigador nos falou que tudo indicava que ele foi espancado no trajeto até Manhuaçu”, afirmou.

Nádia explicou na entrevista que os familiares procuraram os policiais e eles alegaram que não houve nada na viatura. “Disseram que ele estava passando mal, não foi algemado e que morreu quando chegou à delegacia em Manhuaçu”, conta.

PARADA NO CAMINHO

Os policiais alegaram que no trajeto entre Simonésia e Manhuaçu pararam duas vezes. Na primeira, a pedido de Expedito para urinar. Ele teria caído e se sujado de barro. Os militares pararam uma segunda vez no posto Picada (na entrada de Manhuaçu) para que ele se lavasse. Na delegacia, ele morreu. O Corpo de Bombeiros chegou a ser chamado.

Nádia e os familiares querem saber o que aconteceu durante a parada. Ela conta que um investigador sugeriu que foi nesse momento que Expedito foi espancado e os ferimentos provocaram a morte.

“Como no tempo em que ele morreu estava só em poder da polícia, não estava em bar ou em briga, só queremos justiça e esclarecimentos. Uma pessoa que entrou na viatura bem aqui em Simonésia chegou com vários ferimentos. A gente só quer explicações desse comportamento dos policiais”, questionou Nádia Sabrina, afirmando que seu irmão era um pedreiro dedicado, bebia de vez em quando e sabia trabalhar bem. “Não era uma pessoa complicada”.

AFASTAMENTO

Respondendo pelo Comando do 11º Batalhão de Polícia Militar, o Tenente-coronel Luiz Carlos Rhodes, informou na manhã desta quarta-feira, 05, que foi instaurado um inquérito policial militar e que os dois policiais foram afastados do serviço em Simonésia.

Ele garantiu que a Polícia Militar também tem interesse no esclarecimento de tudo o que ocorreu. “Estamos também buscando esclarecimentos a respeito desses fatos. Quero manifestar aqui à família do Senhor Expedito a nossa consternação com o falecimento dele. A Polícia Militar está entristecida com esta situação e também quer o esclarecimento da verdade sobre esses fatos”, afirmou.

Segundo o tenente-coronel Rhodes, os militares adotaram as providências: fazer o boletim de ocorrência e encaminhar os dois para a delegacia em Manhuaçu. Em Simonésia, não existe plantão noturno de delegado e, como procedimento padrão, os cidadãos têm que ser conduzidos até a delegacia de Manhuaçu.

“No trajeto, o Expedito teria pedido para descer da viatura e urinar. A versão contada pelos policiais é de que ele estava embriagado e tomou um tombo no local em que estava urinando. Em seguida, eles pararam no posto Picada, lavaram as mãos e tiraram a lama do Expedito”, explica o oficial.

Segundo o comandante, na apresentação na delegacia, a versão dos dois militares, é que, no momento em que entregavam Expedito, ele sofreu um mal súbito e veio a óbito.

O cidadão que estava pilotando a moto e seria a testemunha de tudo o que aconteceu foi ouvido pela Polícia Civil. “Não temos acesso ainda ao laudo, mas o atestado de óbito indica a morte por hemorragia. Iniciamos uma apuração. Mesmo a Polícia Civil fazendo o inquérito de competência dela, com base nas circunstâncias, eu determinei a instauração de um Inquérito Policial Militar para esclarecer a verdade e trazer à tona como que ocorreu a morte desse cidadão. Não temos interesse em omitir nada. A apuração da Polícia Militar vai ocorrer dentro de uma transparência total, sob responsabilidade do Capitão Luciano Reis, com comunicação integral ao Promotor de Justiça para que possa acompanhar todos os procedimentos. Preliminarmente, afastamos os dois policiais do serviço em Simonésia e estamos iniciando os depoimentos de quem viu ou participou de qualquer coisa”, afirmou o Tenente-coronel Rhodes.

O corpo de Expedito foi sepultado em Simonésia nesta quarta-feira em meio a protestos de moradores e indignação na comunidade.

A reportagem do PORTAL CAPARAÓ tentou localizar o rapaz que estava na motocicleta e ouvir a versão dele sobre os fatos durante o percurso até Manhuaçu.

Fonte: Jailton Pereira / Carlos Henrique Cruz portalcaparao@gmail.com

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